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Banco de Pele da Santa Casa auxilia vítimas na tragédia de Minas Gerais

No dia seguinte à trágedia, o “Banco de Pele da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre” colocou à disposição do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, todo o estoque disponível para ajudar no tratamento das vítimas do incêndio em uma creche localizada na cidade de Janaúba, em Minas Gerais, no dia 5 de outubro. No ataque, provocado por um vigia, cinco crianças, uma professora e o próprio autor morreram, com dezenas de pessoas ficando feridas.

O médico Dr. Eduardo Chem, diretor do Banco de Pele e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional -RS , afirmou, em entrevista para o G1, logo após a tragédia, que a unidade prestaria toda a assistência, como de fato fez. Na oportunidade, Chem relatou: "A gente tem um certo estoque de pele agora, de cerca de 7 mil cm². Tudo isso deve ser enviado a Minas. Assim que essas crianças estiverem tratadas, bem equilibradas, para passar por um procedimento delicado que é o transplante, nós vamos enviar essas peles. Estamos de prontidão para isso".

A tragédia abalou o país, quando naquele dia 5 de outubro o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, jogou álcool nas crianças e em si mesmo e, em seguida, ateou fogo. Sete pessoas, inclusive ele e uma educadora, de 43 anos, morreram.

Outras crianças e funcionários da creche ficaram feridos no ataque. Ao todo, 38 pessoas tiveram que ser internadas em hospitais de Montes Claros, Janaúba e Belo Horizonte. Entre elas, 22 crianças.

O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, é referência no estado em tratamento de queimaduras e recebeu pacientes em estado grave, tendo contatado o Dr. Eduardo Chem para pedir auxílio.

"A diretora do hospital [João XXIII] me ligou e disse que o estado é muito crítico. São queimaduras extensas e muito graves", acrescentou Chem.

O enxerto de pele é usado para o tratamento de extensas queimaduras, principalmente em crianças, ou de traumas graves. "O ideal é retirar o tecido morto, que é a necrose, o mais precoce possível e depois cobrir essas feridas. Uma das alternativas é cobrir com a pele sã, que é o enxerto, que a gente chama. Pode ser da própria pessoa ou deve-se introduzir essa pele doada, que deve ser o caso com as crianças vítimas desse incêndio", detalhou o cirurgião.

Em função da imediata e intensiva ação do “Banco de Pele da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre”, o Dr. Eduardo Chem, na oportunidade, deu entrevista diretamente ou teve a ação noticiada em 47 publicações, entre veículos nacionais, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, sempre focando na necessidade de cooperar com a manutenção da vida e a reabilitação das vítimas, princípios basilares do banco de pele iniciado por seu pai.

O Banco de Pele Dr. Roberto Corrêa Chem foi inaugurado em 2005, sendo que até o ano de 2012 era o único em funcionamento no Brasil, suprindo toda a demanda nacional, a partir de suas instalações no Hospital Dom Vicente Scherer, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Fonte: G1