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Banco de Pele da Santa Casa busca a aprovação da regulamentação do uso de membranas amnióticas para tratamento de feridas cutâneas

O uso da membrana amniótica como substituta cutânea traria um avanço para o tratamento de queimados, aumentando estoques, acelerando e barateando o processo

Pensando em alternativas para suprir a escassez de pele disponível para transplantes cutâneos, na maioria das vezes motivados por queimaduras, o Banco de Pele da Santa Casa de Porto Alegre tem buscado apoio e feito pesquisas para regularizar a utilização da membrana amniótica como substituta cutânea. O cirurgião plástico Eduardo Chem, diretor do Banco de Pele e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - regional Rio Grande do Sul esteve recentemente em Brasília para apresentar uma proposta para o Conselho Federal de Medicina (CFM) com esse intuito.

Apesar do grande conhecimento que já se tem sobre as vantagens do uso clínico da membrana amniótica - um tecido avascular que compõe a parte mais interna da membrana fetal -, o Brasil ainda é o único país da América do Sul que não possui regulamentação e política de financiamento para a distribuição deste material pelos Bancos de Tecidos. Desde 2009 há tentativas de aprovação de uma portaria federal que inclua o material na lista de tecidos a serem captados, preservados e disponibilizados, mas ainda não é possível determinar quando isso ocorrerá.

Em janeiro de 2013, em decorrência do incêndio da boate Kiss, o Banco de pele da Santa Casa recebeu uma quantidade significativa de membranas amnióticas de países vizinhos, como Argentina e Uruguai, para auxiliar no tratamento de queimados. Para Eduardo Chem, essa foi uma experiência que reforçou ainda mais as convicções sobre o uso do tecido. “Temos uma defasagem muito elevada entre a quantidade de pele que precisaríamos para suprir a demanda nacional e o que podemos captar atualmente. A membrana amniótica é uma realidade no mundo e se mostrou como uma solução de sucesso adequada”, afirma.

No anos de 2007 houve um avanço na captação de tecidos quando foi autorizada a retirada de pele de doador cadáver ( múltiplos órgãos ). Antes disso, apenas era possível utilizar sobras de pele de cirurgias estéticas ou materiais sintéticos, estes com custos muito elevados. Ainda assim, para sanar as necessidades, seria preciso um estoque muito maior de substitutos dérmicos, algo que a membrana amniótica ofereceria com facilidade. O Serviço de Maternidade da Santa Casa realiza mais de uma centena de partos por mês, possibilitando um acesso abundante ao tecido, além de haver pouca rejeição por parte das mães doadoras, já que este material costuma ser desprezado.

“Se estimarmos que o Banco realizasse a captação de membrana amniótica de 80% dos partos aqui da Santa Casa, ao final de um ano nós teríamos uma disponibilidade de tecido para transplante 120 vezes maior do que temos hoje, ao compararmos com a utilização apenas da pele.” aponta Chem.

Além disso, o custo também seria bem menor. Em média, o valor da pele artificial é R$ 46,00 o cm²; curativos sintéticos custam em média R$ 11,00 o cm²; a pele para transplante ( proveniente do Banco de Tecidos ) custa aproximadamente R$ 1,71 o cm²; enquanto membrana amniótica teria um custo de apenas R$ 0,10 o cm². A membrana pode ser preservada da mesma forma que a pele alógena é conservada no Brasil e em outros países atualmente, um procedimento pouco oneroso e que permite a conservação do tecido por até dois anos em geladeira.

O Banco de Pele

O Banco de Pele Dr. Roberto Corrêa Chem da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre foi inaugurado em 2005, sendo até o ano de 2012 o único em funcionamento no Brasil, suprindo toda a demanda nacional. É responsável pela captação, processamento, conservação e distribuição de finas lâminas de pele humana para fins de tratamento de grandes queimados e de pessoas que sofreram perdas cutâneas extensas. Fica localizado no 7º andar do Hospital Dom Vicente Scherer.

Fonte: Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre