30 ABRIL - 2020 Uso do álcool em gel aumenta acidentes com queimaduras

Com o advento da pandemia de coronavírus e a preocupação com a higienização das mãos, desde o dia 19 de março houve um aumento nas ocorrências envolvendo queimaduras pelo uso do produto

O uso intenso do álcool gel a 70% para higienização das mãos, como um dos mecanismos de combate ao coronavírus, fez aparecer mais um problema para a saúde pública, o aumento do número de queimados nos hospitais de todo o País.

Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras indicam que, desde 19 de março, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a resolução 350, flexibilizando a comercialização do produto, ocorreram mais de 100 acidentes pela combustão do álcool gel no Brasil.

Só na Unidade de Queimados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP o aumento foi três vezes maior em relação a igual período anterior à resolução.

O álcool gel, agora largamente utilizado para higienizar as mãos, tem 30% de água e espessante, que dão a textura de gel, e 70% de álcool etílico, o que o torna altamente inflamável e com mais chances de acidentes de queimaduras. A tendência de acidentes é pela inadequada manipulação de equipamentos na fabricação do produto, especialmente para fazer a mistura do álcool com o espessante.

Outro alerta importante diz respeito à invisibilidade do álcool em gel quando pega fogo. Assim, como não enxergam a chama, as pessoas acabam se queimando e, numa reação de reflexo, podem fazer um movimento brusco e espalhar o álcool pelo corpo ou pela roupa e causar um acidente ainda mais grave.

Por isso, é preciso cuidado com o uso do álcool gel dentro de casa e, o mais recomendado para a higienização e para a prevenção da covid-19 no ambiente doméstico é usar água e sabão. Se for inevitável o uso do álcool, a aplicação não deve ser feita próximo de chamas, como as de vela, do fogão, da churrasqueira, bem como não se deve acender cigarro.

Fonte: Jornal da Universidade de São Paulo